O Perigo de Uma Religiosidade Secularizada

O TESTEMUNHO DE UM SOPRO CONTAMINADO: O PERIGO DE UMA RELIGIOSIDADE SECULARIZADA


“O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!” (Mc1.24) Quem são os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo? Que tipo de testemunho autentica o caráter do discípulo, principalmente num mundo conduzido pelo “deus” do poder, do possuir, do ter? A voz que ecoa dos templos é uma reverberação da voz de Deus, ou uma proclamação do egocentrismo camuflado, escondido atrás de manifestações cúlticas como estratégia para a permanência dominadora do “eu” e a ausência real de Deus?

A voz que ressoa nos templos, nem sempre é expressão de louvor autêntico. “Sei quem tu és: o Santo de Deus!” (Mc 1.24b). “Mefistófeles” também proclama, também “exalta”. A origem da exaltação pode vir de ambientes obscuros do coração, de uma atmosfera sombria, com intenções “malignas”. Como proteger-se de uma falsa adoração? Como resguardar-se do engodo de nós mesmos?

O templo não autentica o testemunho religioso como verdadeiro. O templo como edifício não garante nenhuma proteção contra a presença de manifestações ocultas e enganosas. O templo, ambiente de manifestações de “poder místico”, demonstra a fragilidade de uma religiosidade dependente da concupiscência dos olhos, os quais só conseguem enxergar o aparente, mas não consegue penetrar no âmago do coração. Para olhar para dentro, para o mundo da simplicidade abscôndita, onde a verdadeira riqueza e poder são marcados pela candura e inocência, singeleza e dependência, é preciso “desenfeitiçar-se da ostentação”.

A presença do poder desvirtua a verdadeira adoração. O desejo de consumir, aliado ao poder, como forma de auto-autenticação induz uma prostração dissimulada. Uma genuflexão forçada pelo peso do poder, deixa de ser adoração, passa a ser idolatria a si mesmo. Seria uma atitude de “um deus curvando-se diante dele mesmo”. Para Ludwig Feuerbach “o deus do homem não é nada mais que a essência divinizada do homem”. Se há algo que potencializa o homem, transformando-o em um “pequeno deus”, é o poder.

O poder mediante o ter torna o homem possesso, possuído, escravizado. Para Nietzsche “... quem pouco possui tanto menos é possuído. Bendita seja a modesta pobreza!”. Para adorar é preciso exorcizar-se de interesses vis, do querer possuir, para que a graça se manifeste de forma graciosa. “O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir?”. Quando não há despojamento, a veneração transforma-se em confronto, Jesus Cristo torna-se inimigo e não o objeto da adoração. Se existe algum confronto, ele deve existir antes da adoração. A adoração é uma atitude dos vencidos. Só adora, de fato, quem perde a batalha, ou deixa ser vencido na guerra contra o eu.

Para adorar é preciso render-se, submeter o “eu” a outro. No entanto, “é absolutamente impossível render o “eu” fazendo aquilo de que gostamos” (C. S. Lewis). Adorar é uma atitude de amor. “Amar, no entanto, implica dependência de outro em sentido profundo e existencial” (Renold Blank).

“O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir?” A atitude de adorar é uma entrega radical. É um salto na certeza, não no escuro. É a convicção de que se há sentido existencial, esse sentido se encontra em outro, não em mim mesmo. Por isso o adorador não necessita de marketing de adorador. A titulação de “adorador” impede a manifestação da graça para adorar. E sem a graça a atitude cúltica de adorar perde a gracilidade, a beleza, a poesia.

Nem tudo o que se diz no templo é adoração. Nem todo testemunho no templo é expressão fidedigna de louvor. Nem todo testemunho cristológico refere-se a uma identificação com Cristo.

A adoração transcende o ordinário. A adoração é uma expressão naturalmente extraordinária, já que em Cristo toda a nossa vida é marcada pela excepcionalidade. O sopro que nos impulsiona a adoração é “o sopro santificado” de Cristo, presente naqueles que foram libertos do sistema marcado pela secularização.
 

Versiculos

Lucas, 18:1 - Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.

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